"People empty me. I have to get away to refill" Bukowski

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SHenry V

Uma das coisas mais fodas que vi na quarta temporada de Sherlock foi o surto Shakespeareano do episódio “The lying detective” – o melhor da série toda pra mim.

A bosta do YouTube não permite que  perpetuemos essa obra prima de trecho por conta dos malditos direitos autorais. Uma pena, uma grande pena. Essa cena vale ser vista mesmo fora do contexto  Sherlockiano…

Enfim. Vou transgredir de novo. Sem do.

“Once more unto the breach, dear friends, once more;

Or close the wall up with our English dead.

Now set the teeth and stretch the nostril wide,


Hold hard the breath and bend up every spirit

To his full height. On, on, you noblest English.

Whose blood is fet from fathers of war-proof!

 And you, good yeoman,

Whose limbs were made in England, show us here

The mettle of your pasture; let us swear

That you are worth your breeding; which I doubt not;

For there is none of you so mean and base,

That hath not noble lustre in your eyes.

I see you stand like greyhounds in the slips,

Straining upon the start.

 

The game’s afoot.”

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It’s all connected.

Nota: cada um dos gifs desse texto é um link para um post relacionado a cada um dos parágrafos. Boa leitura.

É engraçado como elegemos algumas imagens para catalisar processos intensos dentro da gente. Essa é a essência da minha relação com o Cumberbatch.

Meu primeiro contato foi com “Hawking”, em 2013, que eu assisti no YouTube logo após a morte do meu pai. Achei o filme porque pesquisava sobre Esclerose Lateral Amiotrófica – a doença que tem o Hawking e que matou meu pai.
O retrato magnífico não só dos sintomas e da progressão da doença, como também do estranhamento de quem está passando pela sensação de estar sendo “desligado” aos poucos, foi algo que ficou profundamente marcado na minha memória.

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Link para o Post “I like your rooms, smells so…manly”

Quando “Teoria de Tudo” entrou em cartaz e vi Redmayne indicado ao Oscar junto com “o outro cara que já vi fazendo o Hawking ” achei curioso. Pensei que precisaria ver “Jogo da Imitação”, afinal, se tinha “aquele ator do nome estranho e do sorriso bonito”, deveria ser um bom filme.

Curiosamente, acabei assistindo “Jogo da Imitação” um mês depois da morte da minha mãe. Daí em diante, passei a guarda-lo não só na memória mas também no celular, como costumo fazer com as minhas “proto-obsessões”, mesmo antes de estar realmente ciente delas.

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Link para o Post “Alan e Julian”

2016 foi um ano muito triste para mim, como seria de se esperar um ano onde se tem que enterrar sua mãe e fazer – agora sozinha – a exumação do seu pai. Mas as coisas são o que são, e fui superando aos poucos, bem devagar, como numa musica de Nick Drake…

Por volta de setembro, época do meu aniversário, estava compenetrada tentando fazer um bolo – e errando desgraçadamente a receita – quando fui introduzida de forma bem aleatória ao lendário Sherlock Holmes, que rodava na seleção aleatória do Youtube. Personagens cerebrais sempre me atraíram, mesmo nessa configuração clássica, com o Peter Cushing (lembro de ter prestado especial atenção em The Hound of the Baskervilles”) e também com Basil Rathbone. Vi também Mr. Holmes, com Ian McKellen, filme que achei maravilhoso pela maneira positiva com que tratava a solidão de tipos como ele. Vi também uma versão dublada, distorcida e com péssima imagem do tal Sherlock atual, feita – desnecessário dizer – com o tal ator do Jogo da Imitação. Era algo como “A Noiva Abominável”. Confuso, mas interessante.

Cheguei a tentar procurar outros episódios no youtube, mas não achei, e prometi para mim mesma que assim que tivesse um tempinho, faria um período de testes no Netflix só pra ver a tal serie. Afinal, se eu gostei de “House M.D.” , óbvio que não me seria nenhum sacrifício voltar às raízes e gostar de Sherlock. Ainda mais com aquele ator que eu já tinha visto em outros bons filmes.

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Link para o Post “Esquentando as Gaitas de Foles Sherlockianas para Amanhã parte -1”

Apesar de originalmente anunciado em abril, foi em novembro que entrou em cartaz Doctor Strange. Não gosto de super-heróis, mas fiz uma exceção a esse filme por dois motivos: o primeiro motivo era o fato do herói em questão ser um tanto quanto… peculiar, um tanto quanto “místico”.  E o segundo motivo – óbvio hoje mas nem tão óbvio naqueles dias – era que o filme era feito por “aquele ator”, aquele de Hawking e Jogo da Imitação… Lembrei de terem me dito que “…Doctor Strange é filme pra ver no cinema!”. Então eu fui.

Nada mais justo que o ator que me acompanhou naquelas épocas difíceis fosse também o marco da minha “Reviravolta”. Fui ver Doctor Strange dez vezes no cinema, e posso garantir que se em cartaz ainda estivesse, continuaria indo ver até hoje!

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Link para o Post “I beg to differ”

A consolidação definitiva da minha “BenAddiction”, veio com Sherlock: era simplesmente impossível sair de frente da tela sem que tudo tivesse sido visto e revisto pelo menos umas três ou quatro vezes. Incluindo, agora em 2017, a polêmica quarta e última temporada, que mexeu bastante com meus conceitos de resignação, desenvolvimento cognitivo e maturidade, a despeito de algumas falhas de roteiro e de condução – especialmente no último episódio.

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Link Para o Post “Ben ou Mal?”

Na véspera de um Natal que foi estranhamente leve e sem referências, assisti ao filme “Third Star” e a partir daí minha vida nunca mais foi a mesma. Esse filme consolidou em mim de forma definitiva uma visão do processo de morte que já havia começado em Melancholia do Lars von Trier, mas que ficou mais claro e – literalmente – à flor da pele na delicadeza das suas linhas finais:

“…and there’s no tragedy in that…”

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Link para o Post “Every Single Star”

E é por isso, por catalizar processos tão poderosos na minha vida “pós-perdas”, que eu serei eternamente grata ao rapaz de nome estranho e sorriso bonito, da mesma forma que o personagem de “Hawking” é grato a passageira desconhecida pelo insight decisivo que teve na estação do trem para Cambridge…

A mensagem que fica de tudo isso, cada dia mais forte, é de que ainda dá pra fazer muita coisa, de que “we are very, very small, but we are profoundly capable of very, very big things.”  E é isso. It is what it is.

Tks for show me the way, Ben.

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Link para o Post “Bang!”

Tks again.

O Grande Vazio

​Nao se enganem com seus encantos: a Paixão, o Desespero e a Euforia sao tres irmãs cruéis.

Inside

So I raise a morphine toast to you all

and, if you should happen to remember, it’s the anniversary of my birth,

remember that you were loved by me

and you made my life a happy one

Ben ou mal?

“Toda mentira tem muitos detalhes” 

Citei dessa frase do Sherlock (Many Happy Returns) a Beatriz, nossa mascotinha no trabalho, para que ela explicasse menos as coisas trivias, falei algo como: “Mas o Sherlock nao e foda? (Suspiro) Pena que e um personagem de ficcao. Se fosse real…”

“Se fosse real e vc tivesse que escolher entre o Benedict e o Sherlock, quem vc escolheria?” Disparou a Cinara com a sua geminianice temperada de escorpiao.

E eu tomei aquele impulso para responder, como se a resposta ja existisse. So que nao existia! Caramba! Emudeci.

Por um bom tempo fiquei alternando na cabeca a imagem dos dois, pra ver de qual hipoteticamente eu me desfaria. As imagens entraram em “loop eterno”. E eu fiquei la, Dormammumente travada, sem chegar a nenhuma conclusao.

Os dois se complementam na minha psique. O Benedict sem Sherlock se perde em ingenuidade bem intencionada. Sherlock sem Benedict perde profundidade, perde aquele quê de ambiguidade e misterio. Aquele lance que vc olha e nao sabe bem o que esta vendo, mas só sabe que nao quer nunca mais parar de olhar. Nao da pra abrir mao da acidez sadica de um e nem da meiguice sinceramente doce do outro. É uma unidade. E é indivisivel.

No fim das contas, ambos acabam sendo ficcionais pra mim. A realidade limita as nossas escolhas. Ja a ficcao, seja ela intencional ou circunstancial, deixa a gente no pe da “arvore das possibilidades” do Kundera, maravilhado, olhando pra tudo que pode ser “sendo” ao mesmo tempo. E pra mim, isso ja e o suficiente.

Buddy Francis

Tenho lido sobre a polêmica nas ruas de Roma e sobre algumas declarações do Papa.

Uma vez em 2005, na ocasião da morte do João Paulo II, fiz um texto falando de algo semelhante

a benção João de Deus

Não sou católica exatamente porque sei ser impossível que alguma religião seja capaz de abarcar toda a complexidade de qualquer individuo sem mutilá-lo em algum momento, mas sei que a religião é parte fundamental da vida de muita gente então faço essa analise considerando o que vejo de outras doutrinas. Quando se tenta modernizar uma religiao como a catolica, normalmente ela se transforma numa “outra coisa” que não a versão original modernizada. Não se moderniza uma doutrina sem invalida-la como ideia original. Nao ha mal nenhum nisso, desde que se tenha isso bem claro desde o inicio: se modernizar, deixa de ser a igreja catolica. Ok? Se estiver ok pra todo mundo, bola pra frente.A Igreja Católica está nesse impasse já há algum tempo: ou se consolida como Estado, ou se consolida como Doutrina. Só foi possível ser os dois ao mesmo tempo em tempos antigos com uma sociedade mais “monolitica”. Nesse momento em que vivemos, uma escolha deverá ser feita.Optando pela consolidação do Estado e do Poder, serão necessários muitos fieis, e esse “quorum” só será atingido se houver concessões (vulgo “modernizações”), decisão que fere mortalmente a Doutrina como ela e.Optando pela consolidação da Doutrina e da Fé, haverá drástica perda de fieis que já acontece em parte pela sociedade diversificada em que vivemos, onde se uma doutrina não agradar ao individuo e suas complexidades, troca-se de doutrina.

E isso me faz voltar ao jesuíta-guerreiro Francisco. Já disse algumas vezes que tenho medo dele exatamente por ele estar falando o que as pessoas esperam que ele diga. Abertura, aceitação, tolerância… Isso faz dele “um fofo” que todo mundo gosta – e eu me incluo – mas, de fato, será que o efeito disso é bom para a Doutrina?.

No final, qual a escolha que foi feita? Poder ou Doutrina?.

Desconfio que sendo gente-boa desse jeito, mudando preceitos para poder arrebanhar fieis, e fazendo as concessões que parece estar fazendo, constato que a opção é pelo Poder.

Tomara que eu esteja errada.

Every Single Star

First.

Ha tempos que preciso falar sobre esse filme, Third Star, mas é difícil condensar o universo de coisas que senti – e ainda sinto – quando faço qualquer menção a ele.

O que diabos me conectou tão profundamente ao egocêntrico James?  Numa analise mais detachada que só consegui ter ha poucos dias, consegui enxergar o egocentrismo do personagem principal, a despeito de toda  sua tragedia: Você não pode simplesmente arrastar seus amigos para uma viagem de despedida, onde planeja que eles sejam cúmplices de sua morte sem deixar nenhuma pista de suas reais intenções. É injusto demais com quem fica e vai carregar esse peso pelo resto da vida.

O próprio personagem fala sobre isso no começo do filme, a respeito a sua familia: “the sickness may be mine, but tragedy is theirs”. Mas nesse caso, ele estende aos companheiros de viagem a sua hecatombe.

Egoismo que beira a crueldade.

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Second.

Por outro lado, o filme me parece falar da solidão que se sente quando se percebe “escolhido” para viver uma situação que ninguém ainda viveu. Ainda mais em tão tenra idade. Ha momentos em que se esquece da miséria terminal do protagonista diante do companheirismo e da vivacidade do grupo. A circunstancias e a aparente leveza predominam, e então, uma dose de morfina, uma falta de ar, ou até mesmo um olhar te joga de novo pra dentro do vazio de quem é o único ali que vai fazer a passagem.

Essa solidão e essa perplexidade são retratadas magnificamente ao longo do filme. As sutilezas que põe a nu o abismo que existe entre James e os outros é algo devastador.

A pergunta que fica é: não foi justo com quem ficou, mas existia outra forma de ser feito?

James quis ter escolha, quis definir seu próprio destino, quis que o fim tivesse um contexto, alguma dignidade. E precisou de ajuda. Você negaria? Eles teriam esse direito se quisessem, quase o fizeram, mas já tinham chegado muito longe dentro de si próprios e dentro da vida de cada um para voltar atras.

Xeque Mate.

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Third.

Desde quando vi o filme Melancholia me pergunto sobre o valor da morte como rito de passagem. Mas foi em Third Star que esse tema voltou de maneira profunda.

Ja disse uma vez que gostaria de ter a atitude do protagonista numa situação como a dele, e finalizar a existência de maneira tão poética e elegante: apoiado e acolhido pelos seus amigos, de certa forma aliviado de seus medos, em paz. Se durante todo o filme fica escancarado o abismo que existe entre a sua condição e a dos outros, no momento final essa barreira se dissipa e os quatro se tornam um só. E isso é incrivelmente poderoso, mesmo sendo tão intensamente triste.

Um dia eu terei que  ficar cara a cara com o meu próprio destino – ou por hereditariedade, ou por fatalidade – e quando isso acontecer, gostaria de ter a sorte e a coragem que James teve. De verdade. E depois de tudo, ter no coração como ultimo registro algo como “…there’s no tragedy in that…”

Porque, de fato, não há.

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